terça-feira, 14 de maio de 2013

Ouvidoria constata degradação e abusos em prisões do Brasil




Relatórios da ouvidoria do Depen (Departamento Penitenciário Nacional) constataram indícios de irregularidades como degradação de instalações, abusos contra presos, superlotação, falhas no atendimento de saúde e falta de segurança em 56 inspeções realizadas em unidades prisionais brasileiras no ano de 2012.

Os problemas foram encontrados em presídios, penitenciárias, colônias agrícolas, hospitais de custódia, entre outras unidades, inspecionados nos Estados do Acre, Alagoas, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Pará, Paraíba, Piauí e Rio Grande do Sul. As unidades inspecionadas representam menos de 5% do total do país.
Em 70% delas (38), técnicos do governo federal e representantes do Judiciário constataram rachaduras e infiltrações em paredes, além de fiações aparentes, celas sem ventilação e problemas hidráulicos nos edifícios prisionais – muitos deles construídos há décadas.
Uma das irregularidades estruturais mais evidentes foi constatada pelos técnicos no Presídio Regional de Patos, na Paraíba, onde a urina produzida por presos de uma unidade masculina gotejava nas celas do pavimento inferior – onde dormiam detentas com crianças recém-nascidas.
Sobre outra unidade do mesmo Estado, o "complexo 'Serrotão'", na região do município de Campina Grande, os técnicos disseram que o local "fica ao lado de uma pedreira e, sempre que há explosões nela, as paredes das celas trincam, eis que são muito frágeis e velhas".
Em 15 das unidades, os problemas estruturais se somavam à ausência de um plano de combate a incêndios e à falta de extintores.
O problema da superlotação foi encontrado em mais da metade das instalações investigadas (30). O Depen estima que há hoje um déficit nacional de quase 240 mil vagas no sistema prisional.
Além da falta de espaço físico, os relatórios revelaram também que não há número suficiente de camas e colchões em bom estado em ao menos 33% (19) das prisões inspecionadas. Nelas, os técnicos encontraram colchões sujos e deteriorados a ponto de favorecer a proliferação de insetos e doenças.
Maus-tratos e tortura
Em cerca de 20% (11) das unidades prisionais inspecionadas foram encontrados indícios de maus-tratos ou da prática de tortura contra detentos por agentes prisionais.
Entre eles estavam hematomas nos corpos de presos, denúncias verbais feitas pelos detentos e marcas de tiros de borracha encontradas dentro das celas (munição não-letal não pode ser disparada a curta distância, e a maioria das celas não tem mais de quatro metros de comprimento).
Segundo uma denúncia coletada pela equipe, em Alagoas, uma equipe especial da Polícia Militar teria entrado em uma penitenciária do Estado e obrigado um grupo de presos a ficar nu no pátio da unidade. Lá, eles teriam sido agredidos por cerca de três horas com chutes, choque, gás de pimenta, cães, balas de borracha – além de violência psicológica.
Na mesma unidade, os técnicos encontraram detentos com diversas marcas pelo corpo. Autoridades locais negaram que os hematomas tivessem sido produzidos por seus agentes.
Acesso à Justiça
Também foram encontradas nas visitas falhas de segurança ou deficit de agentes prisionais em 17 unidades.
Indícios de problemas no atendimento de saúde, como falta de médicos e instalações adequadas, foram encontrados em 25% (14) das unidades visitadas. Falta de higiene, presença de insetos e ratos ou acúmulo de lixo foram constatados em 23% (13) dos casos.
Queixas sobre lentidão da Justiça e falta de acesso a advogados ou defensores públicos – para revisão de processos ou obtenção de benefícios da progressão penitenciária – foram relatadas em 32% (18) das unidades.
Para ler esta matéria na integra, acesse o site abaixo:

quarta-feira, 10 de abril de 2013

Presídios da capital vão ter produção de garrafas PET, diz Governo da PB


Empresa vai criar 50 vagas de trabalho em unidades prisionais da capital.
Previsão é que empresa produza 20 mil embalagens plásticas por mês.

Uma empresa de plástico vai levar 50 vagas de trabalho para presídios de João Pessoa. A decisão foi tomada através de uma parceria firmada nesta quarta-feira (10) entre a indústria PetPlast e o Governo do Estado. De acordo com o presidente da empresa, Luís Fernando, a previsão de produção da empresa, assim que estiver em funcionamento, é de 20 mil embalagens do tipo PET por mês, podendo atender o mercado da Paraíba e estados vizinhos. A empresa, que tem sede em Recife,Pernambuco, já trabalha com mão de obra de reeducandos de sistemas prisionais. “Já trabalhamos com este modelo em Pernambuco e temos obtido bastante sucesso”, comentou o presidente da indústria PetPlast.
Para o secretário de Estado da Administração Penitenciária, Walber Virgolino, a parceria com a empresa demonstra o investimento na melhoria das condições de vida dos reeducandos. “Estamos executando ações com o objetivo de reintegrar o apenado à sociedade. Essa parceria vai ofertar não só o trabalho, mas uma segunda chance para a vida deles, que vão ocupar o tempo ocioso com experiência profissional e qualificação através de cursos”, disse o secretário. Para a presidente da Companhia Paraibana de Desenvolvimento (Cinep), Tatiana Domiciano, a disposição do Governo do Estado em captar empresas vai além da função econômica. “Também temos a preocupação de integrar a sociedade no processo de desenvolvimento o qual o Estado vem passando. Teremos este cenário pela primeira vez aplicado dentro de uma penitenciária. Vamos qualificar os reeducandos através de parcerias que buscaremos junto ao Senai para que possamos promover cada vez mais a reinserção social deles. Esta parceria trará não só mais desenvolvimento econômico para o estado, mas novas perspectivas de vida para os detentos”, afirmou a presidente.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Conselho dos Direitos Humanos na PB denuncia humilhação de padres


O Conselho Estadual dos Direitos Humanos do Estado da Paraíba (CEDHPB) divulgou uma nota nesta segunda-feira (18) onde afirma que dois padres tiveram que passar por uma revista íntima quando entravam na Penitenciária Flóscolo da Nóbrega, o presídio do Roger. No documento o presidente do órgão, padre João Bosco Fernandes, repudia a atitude dos servidores, que teriam coagido e humilhado os sacerdotes, e diz que vai pedir que o Ministério Público entre com uma ação penal contra os responsáveis pela ação. A Secretaria de Administração Penitenciária disse que vai apurar o ocorrido.
O fato, segundo o CEDHPB, aconteceu no último dia 14 de fevereiro. Os padres, que integram a Pastoral Carcerária, teriam sido obrigados a ficar nus e fazer movimentos de agachamento para que os agentes penitenciários verificassem se eles não estavam escondendo drogas ou objetos ilegais dentro do próprio corpo. “A atitude foi uma grande arbitrariedade, nós pedimos providências. Comunicamos o secretário e o governador Ricardo Coutinho (PSB) foi o primeiro a ficar sabendo”, disse o padre João Bosco ao G1. João Bosco enfatizou que uma resolução do Conselho Estadual de Coordenação Penitenciária, publicada no começo de março e que normatiza a entrada de membros de entidades religiosas nos presídios, veda a realização da revista íntima para essas pessoas. O documento diz apenas que só haverá exceção quando acontecer alguma denúncia ou suspeita. “Não era o caso em questão. Inclusive um dos padres, o padre Júlio Massom, faz esse trabalho da pastoral no Roger toda semana . Ele não é uma pessoa estranha no local, não precisava passar por isso”, completou o presidente do Conselho dos Direitos Humanos.

terça-feira, 12 de março de 2013

Direitos Humanos da Paraíba pede interdição do presídio do Roger


Conselho entrou com uma ação pedindo a interdição da unidade. Sistema Penitenciário disse que não foi notificado da ação do conselho.

O Conselho Estadual dos Direitos Humanos do Estado da Paraíba (CEDHPB) deu entrada, na segunda-feira (11), em uma petição na Vara das Execuções Penais deJoão Pessoa solicitando a interdição total da Penitenciária Flóscolo da Nóbrega, o presídio do Roger. O órgão decidiu entrar com a ação após constatar a superlotação da unidade prisional em uma recente visita. Conforme informações do CEDHPB, também foi verificado que o presídio tem problemas de estrutura e não abriga os detentos da forma que deveria.


padre João Bosco ressaltou que além dessa petição protocolizada na segunda-feira existem outras duas ações que pedem a interdição do Roger tramitando, uma na Justiça Federal e outra na Justiça Comum. “O governo já sinalizou o desejo de fazer a interdição do Roger, mas para se fazer isso tem que se criar espaços alternativos”, destacou o presidente do Conselho dos Direitos Humanos.
Desde o início de 2013 o Roger tem registrado uma série de problemas. Quatro presos morreram durante rebeliões e brigas ocorridas no presídio.

veja reportagem na integra acessando: http://g1.globo.com/pb/paraiba/noticia/2013/03/direitos-humanos-da-paraiba-pede-interdicao-do-presidio-do-roger.html


Sergipe: Presídio Feminino recebe curso de confecção de peças íntimas


Projeto Novos Rumos: Inclusão Produtiva

O Governo de Sergipe, através da Secretaria de Estado da Inclusão, Assistência e do Desenvolvimento Social (Seides) e da Secretaria Especial de Política para as Mulheres (SEPM), oferecem qualificação profissional a 20 alunas do Presídio Feminino (Prefem), em Nossa Senhora do Socorro. As aulas foram iniciadas segunda-feira, 11.


A ação faz parte das atividades do Programa Sergipano de Qualificação Profissional Novos Rumos e tem ainda a perspectiva de levar às detentas novos cursos com turmas de manicure, pedicure, pintor predial e rejunte. As aulas são ministradas pelo Senac e acontecerão de segunda a quarta- feira, em período integral, totalizando uma carga horária de 80 horas.

Maiores detalhes sobre a matéria no endereço:

quarta-feira, 6 de março de 2013

Criação da Pastoral Carcerária na Diocese de Iguatu - CE

A Diocese de Iguatu - Ce, através do seu Bispo Diocesano Dom Frei João Costa O.Carm., iniciou oficialmente no mês de fevereiro, os trabalhos locais da Pastoral Carcerária. Na ocasião houve a visita do Bispo ao internos, sendo celebrada em seguida Santa Missa.


Dom Frei João Cumprimenta os internos.

Dom Frei João e os Coordenadores da Pastoral Carcerária

Momento Celebrativo com os Internos

Internos em momento de oração

Os novos agentes da Pastoral Carcerária - Diocese de Iguatu/CE

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

São Paulo: professores assumem aulas nas prisões


Docentes contratados pelo governo paulista entram nas salas prisionais, antes sob responsabilidade da Administração Penitenciária 

Após três anos de experiência em uma escola estadual em Hortolândia, Aldo Cesar de Lima aceitou um desafio: tornou-se, no início deste mês, professor no presídio. Uma troca que foi feita por outros 537 docentes da rede. É que, neste ano, as classes prisionais saíram das mãos da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) e estão sob responsabilidade da Secretaria de Estado da Educação (SEE).

A mudança ocorre dois anos e meio após uma resolução do Conselho Nacional de Educação definir que a garantia de educação nos estabelecimentos penais passasse a ser atribuição direta do órgão responsável. São Paulo foi um dos últimos Estados a fazer essa transferência. As 154 penitenciárias paulistas abrigam cerca de 200 mil presos, sendo que 15 mil deles estudam, o que corresponde a 7,5% da população encarcerada. 

"Isso trará um grande impacto, até pelo tamanho de seu sistema prisional (o maior do País, com mais de um terço dos detentos)", avalia a coordenadora-geral de Reintegração Social e Ensino da diretoria de Políticas Penitenciárias do Ministério da Justiça, Mara Fregapani Barreto. Ela explica que o objetivo é fazer com que as questões sejam tratadas sempre em parceria da SAP com a Educação. Tanto que, desde 2012, para pleitear recursos da União, os Estados têm de mandar seu plano de educação assinado pelos dois secretários.

Estrutura. Para atender à demanda, são necessários 1.532 docentes. "Neste início não foi possível suprir tudo, até por falta de professores interessados, mas as atribuições continuarão no decorrer do ano", explica Andréa dos Santos Oliveira, do Núcleo de Inclusão Educacional da Secretaria de Educação. Ela diz que, apesar de pagamento de bônus salarial, adicional de local de exercício e insalubridade estar sendo discutido, ainda não há nenhum projeto de lei a respeito.

Por enquanto, para lecionar no presídio, o professor temporário foi motivado pela garantia de não ficar sem trabalho e, claro, pelo desafio - como conta Aldo. Ele costumava pegar um ônibus com ponto final na penitenciária e ouvia a conversa das mulheres dos presos. "O assunto eram os planos, sempre otimistas, para quando a pena terminasse. Mas eu sabia que era quase impossível." 

Quando, no fim do ano passado, soube das aulas na prisão, decidiu ir. "Passei a noite adaptando o material. Tudo o que quero é corresponder às expectativas dos meus alunos. Quero que eles tenham o mesmo preparo que um aluno de fora." Antes de pisar no presídio, ele e todos os outros professores participaram de dois dias de videoconferência e fizeram uma visita de ambientação à unidade prisional. O material pedagógico utilizado é o mesmo das turmas da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e, de acordo com a secretaria, os cursos de formação devem começar em abril e com dois eixos de atuação. 

O primeiro dará conta do conteúdo pedagógico com foco na atuação em salas multisseriadas - as turmas não são separadas por série, mas em ciclos: anos inicias e finais do fundamental e ensino médio. Além desse preparo técnico, uma parceria com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) garantirá formação específica para trabalhos em contexto de privação de liberdade. 

Para Denise Carreira, coordenadora da área de Educação da Ação Educativa e membro de grupos de estudo sobre educação nas prisões, a mudança da SAP para a Educação representa um avanço. Mas há ressalvas. "Como é uma política que exige formação, seria importante que houvesse estímulo para que profissionais experientes viessem para o sistema. Mas foram chamados até professores com vínculo precário, como os temporários. Outro problema foi deixá-los assumir antes dos cursos de formação. Também é preciso cuidado para não escolarizar demais e esquecer de se adaptar aos interessados."


Fonte/endereço:
http://estadao.br.msn.com/ciencia/professores-assumem-aulas-nas-pris%c3%b5es